Estilo de Vida

Conhecendo Capitólio

Lago de Furnas.

Não sei se todos que acompanham o Notas sabem, mas tenho (por enquanto!) um trabalho CLT. Bato cartão, faço um monte de horas extras, cumpro prazos surreais e recebo demandas biônicas e sempre urgentes. E sigo na dupla jornada entre o trabalho que banca a maioria das coisas materiais e o Notas, que enche minha alma de alegria. Estamos no caminho de entender o que fazer com tudo isso.

Enfim, esse parágrafo para dizer que, assim como a maioria das pessoas, eu fico contando os dias para as férias. Normalmente faço essa pausa em julho, para garantir um tempo junto ao meu companheiro, que é professor.

Este primeiro semestre foi bem dinâmico, cheio de processos e reviravoltas. Acabamos que não programamos nada até muito em cima da hora. Resultado: passagens de avião extremamente caras! Assim, resolvemos conhecer lugares que pudéssemos ir de carro.

Gostamos muito do contato com a natureza e nossos destinos quase sempre são os que nos proporcionam essa interação que o dia a dia em São Paulo não permite.

Sendo bem sincera nunca tinha pensado seriamente em conhecer Capitólio. Claro, já tinha visto fotos incríveis de lá, mas havia outros destinos prioritários na minha cabeça. Mas de repente essa ideia surgiu com força e aí comecei a pesquisa para a construção do roteiro (eu AMOOOO planejar viagens. Para mim, a diversão já começa aí. Pesquisar atrações, hospedagens, a história do lugar, onde comer… Acho que seria feliz trabalhando com isso). Decidimos que iríamos para Capitólio e para uma parte da Serra da Canastra (esse sim um lugar que eu já queria ir a muito tempo – e assunto de outro texto).

Minha ideia é compartilhar as melhores dicas para que vocês também possam planejar a viagem. Principalmente com relação às atrações e preços (algo bem importante para que o sonho de desbravar o mundo se concretize), mas vale lembrar que cada um/a tem um estilo de viagem e eu só posso falar da minha maneira de viajar: simples, mas sem passar perrengue.

Vamos lá!

A cidade e hospedagem:

Capitólio está a 440 Km de São Paulo (capital). Fizemos a viagem em 6 horas de carro. As estradas são tranquilas. Há vários pedágios no caminho (cerca de R$ 50,00 por trecho). A cidade é bem pequena (tem cerca de 8.600 habitantes) e está em volta da do Lago de Furnas, formado pela Represa Hidrelétrica de mesmo nome. A maioria das opções de hospedagem está ao longo da rodovia MG 050, pois essa estrada dá acesso a grande parte dos atrativos. Ficamos hospedados na Pousada Canyons Capitólio no Km 298, que fica no meio do caminho entre o centro de Capitólio e os principais passeios. Eles oferecem vários tipos de hospedagem: camping, quarto com banheiro compartilhado e suítes privativas. Achamos um bom custo benefício. Na estrada há diversas opções de hospedagem, para todos os gostos e bolsos.

Passeios:

Todo mundo já viu aquelas fotos incríveis das cachoeiras de Capitólio, não é mesmo? E é sério, a água tem uma cor muito especial. Na época em que estivemos por lá (julho) as águas são bemmm geladas, mas eu nunca recuso entrar numa cachoeira, pois me energiza de uma maneira muito especial. Entrei todos os dias da viagem! <3

Uma coisa que percebi lendo vários relatos pela internet é que as pessoas costumam correr para conhecer tudo em poucos dias. Eu priorizei fazer as coisas com muita calma, aproveitar bastante os lugares, até porque eu gosto de entrar na água, tomar um solzinho, me conectar com a mata em volta da cachoeira. Então, conhecemos menos lugares do que nos roteiros que vi por aí. Se você quiser apenas tirar uma foto, ok, vai dar tempo. Caso contrário, curta a experiência! É incrível.

Uma das Cachoeiras do Complexo “Recanto dos Vikings”.

Há os atrativos mais famosos, mas eu sugiro mesclar os mais conhecidos com alguns menos populares. Por exemplo, nós passamos um dia inteiro no Recanto dos Vikings (MG 050, Km 321, mais 7 Km de estrada de terra em bom estado) um conjunto de 6 cachoeiras paradisíacas e bem vazias porque a maioria das pessoas vai para o Paraíso Perdido, que fica na mesma estrada de terra. O Recanto dos Vikings têm as cachoeiras da parte mais alta do mesmo rio do Paraíso Perdido. Este último cobra R$ 40,00 por pessoa por ser mais conhecido e ter uma melhor estrutura receptiva. Já no primeiro o valor é R$ 15,00 por pessoa. As cachoeiras são de fácil acesso, não há trilhas difíceis. Vale muito a pena passar um dia por lá (leve lanche, pois não há nenhuma estrutura).

A Cachoeira da Filó fica na beira da rodovia (MG 050 Km 315) tem uma prainha de pedras bem convidativa, um poço delicioso e uma queda bonita. Custa R$ 10,00 por pessoa e o acesso é por meio de uma descida tranquila. Conhecemos a Filó no retorno do Recanto do Vikings. Dizem que aos finais de semana fica cheia.

A Trilha de Sol é um complexo turístico bem interessante, que conta com Mirante, a Cachoeira do Grito (incrível de linda, com várias piscinas naturais com água de um verde azulado maravilhoso) e o Poço Dourado que possui uma trilha molhada muito especial (para chegar ao poço você anda cerca de 100m com água na altura do joelho. Por todo caminho já pirâmides de pedras deixadas pelas pessoas. Cada pedra é um pedido. Um caminho cheio de ritual e energia). Também passamos o dia inteiro por lá: custa R$ 40,00 por pessoa e há estrutura de banheiro, restaurante, redário, piscina e loja). Esta atração estava mais movimentada, inclusive com ônibus de viagem (fomos numa sexta-feira). Para entrar na água não há problema, pois a maioria das pessoas não entra. A questão é que algumas querem que você saia da água (!!!!) para que elas possam tirar uma foto do lugar (???).

Foto clássica de Capitólio. Tirada do Mirante de Furnas.

O Mirante do Lago de Furnas é o principal cartão postal da cidade, com a imagem mais conhecida. Ele fica no Km 310 da MG 050 e custa R$ 20,00 por pessoa. Sim! Cobra-se para ver a vista do Mirante! As paisagens são lindas, você tem uma visão geral dos canyons, mas acredito que se você for fazer o passeio de lancha, não há grande necessidade de conhecer também. São 3 pontos de visitação: dois mirantes e um para conhecer umas piscinas naturais (muito bonitas e a maioria das pessoas não vai até lá!!! Não seja essa pessoa!!!). Há fila para tirar foto no mirante mais famoso (portaria 1). Achei a estrutura meio bagunçada, com umas barracas vazias no meio da estrada.

Junto com o Mirante, o passeio de lancha é o atrativo mais famoso da região. Cometemos o grave erro de fazê-lo no final de semana. Não recomendo. Ao menos que você goste de lugares super lotados, com música alta, a galera “enchendo a cara” e “brigando” pela foto perfeita. Se você gosta, não há nenhum problema, vá em frente. Mas definitivamente não é meu tipo de rolê e cheguei a ficar bem irritada em alguns momentos.

O passeio custa R$ 90,00 por pessoa, dura em média três horas (o nosso durou 4 horas) e sai da ponte do Rio Turvo, na MG 050. Pelo lago, conhecemos uma parte da Cachoeira Lagoa Azul, o Recanto dos Tucanos (que desapareceram depois do boom do turismo na região), os Canyons, a Cacheoira da Cascatinha e ainda fomos até a Represa de Furnas (que não estava no roteiro). Há paradas em bares flutuantes pelo caminho e aí as pessoas entram na água (eu não entrei). Não há banheiros nesses bares e quando fui perguntar sobre isso, me responderam: “todo mundo faz na água”. Achei bem absurdo um passeio que não é barato, no qual os bares cobram R$ 15,00 num chope e R$ 25,00 numa cerveja não oferecer a menor estrutura. E os funcionários que ficam ali o dia inteiro? E se alguém passa mal?

As paisagens são incríveis, o lugar é realmente lindo, mas eu não me identifiquei com a energia daquilo tudo. Talvez se a gente tivesse feito o passeio num dia de semana minha experiência seria totalmente diferente. Mas confesso que foi um exercício de paciência ficar 4 horas numa lancha com mais 7 pessoas que estavam em outra vibração (havia mais um casal com a mesma impressão que a gente. Ou seja éramos 11 na lancha).

Depois do passeio na lancha, eu precisava de um lugar mais tranquilo e aí fomos conhecer Cachoeira Cascatinha, que fica em frente ao Mirante. Não tinha ninguém e custa R$ 5,00 por pessoa. O nível de água estava baixo, mas tem uma quedinha e um poço muito charmosos.

Um lugar que não conhecemos, mas que muitas pessoas (que moram na região) comentaram com a gente é a Cachoeira da Capivara, que fica no Km 315 da MG 050. Custa R$ 25,00 por pessoa. Numa próxima vez, quero conhecer!

Comida

Os restaurantes estão ao longo da MG 050 (poucos) e no centrinho de Capitólio. Em geral as porções são muito bem servidas.

Na rodovia, comemos no restaurante do Rio Turvo (que fica em frente de onde saem os passeios de lancha). Os pratos para uma pessoa servem duas e custam a partir de R$ 70,00. A especialidade são os peixes, mas depois do passeio de lancha ficamos “de bode” e comemos outra coisa. Um pouco mais adiante há um restaurante que se chama Tião Mineiro, que serve comida mineira feita no fogão de lenha. O esquema é coma a vontade por R$ 28,00 por pessoa. Não comemos lá, mas conhecemos pessoas que comeram e gostaram.

Na cidade comemos na Pizzaria Capitólio, um lugar super simpático tocado por uma família acolhedora. As pizzas têm massa fininha e são uma delícia. Todas têm o mesmo preço, a de 6 pedaços custa R$ 29,00.

Também experimentamos a comida do Restaurante Tropeiro: as porções são enormes!!! Um prato dá para 3 ou até 4 pessoas. Jantamos e ainda levamos para comer no dia seguinte (havia cozinha na pousada e confesso que tínhamos um pouco de preguiça de ir até Capitólio depois dos passeios para jantar). A especialidade é a culinária mineira e os pratos custam a partir de R$ 60,00.

Na Trilha do Sol há restaurante e a comida é muito deliciosa! São pratos executivos super bem servidos (eu comi um prato kids para terem uma noção). Há opção de carne, frango e peixe e custam R$ 20,00 o prato kids e a partir de R$ 35,00 o executivo.

Para tomar um café da tarde delicioso no centrinho de Capitólio, eu indico a Lua Cafeteria . Pães de queijo recheados(divinos! Comi um de queijo coalho com pesto e rúcula que tenho saudades até hoje), diversos chás, bolos caseiros! Vale muito a pena!!!

No centrinho há outras opções para comer: outros restaurantes, bares e lanchonetes. É importante destacar falta opções vegetarianas/veganas em quase todos os lugares… =(

O que ficou?

Gostei muito de conhecer Capitólio. Realmente as paisagens são incríveis! Mas fiquei muito triste com a forma como o turismo está se estruturando por lá. Não há nenhuma conscientização ambiental dos visitantes e minha impressão é que a maioria das pessoas vai até lá para tirar algo (energeticamente falando) do lugar e não congregar com a natureza, entender que somos parte de um todo e celebrar a beleza. Pretendo voltar para conhecer outras cachoeiras que não foi possível dessa vez (há MUITA coisa para conhecer por lá. Como nos disse um morador de Vargem Bonita – cidade da Serra da Canastra: é preciso mais de uma vida para conhecer todas as cachoeiras dessa região de Minas). O exemplo do passeio de lancha foi sintomático para mim: os tucanos sumiram do Recanto dos Tucanos. A mudança na fauna da região já é visível. Fica o alerta e a reflexão: quando vamos visitar um lugar, estamos entrando na casa de alguém (sejam pessoas ou animais), todo respeito e educação são importantes (digo isso com conhecimento de causa: eu nasci no Guarujá, uma cidade bastante turística perto de São Paulo e sei bem que além dos benefícios, um turismo mal planejado também traz muitos transtornos para quem mora na região e para o ecossistema do local).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *