Estilo de Vida

Conhecendo a Serra da Canastra

Ir até a Serra da Canastra já estava em nossos planos há muito tempo. Nós adoramos ir para lugares nos quais podemos ficar em contato direto com a natureza e é um prazer conhecer áreas de proteção ambiental (Parques Nacionais, Parques Estaduais, RPPNs, etc).

Essa visita a Serra Canastra foi combinada com Capitólio (veja o post aqui). Primeiro fomos para a cidade do lago de Furnas e depois para a região do queijo mais gostoso do mundo!  Vargem Bonita, nossa primeira parada na região da Canastra, fica a 90 Km de Capitólio, por estrada asfaltada e bem sinalizada (há um pedágio no caminho). Para mim foi uma decisão acertada, pois Capitólio possui um turismo de massa bem diferente do clima da Canastra, que é mais tranquilo e bucólico e eu gosto muito. Assim, pudemos realmente desconectar e relaxar.

O Parque Nacional da Serra da Canastra é enorme e não conseguimos visitar tudo (o que é ótimo, pois é a desculpa perfeita para outra viagem). Ele possui território em três municípios: São Roque de Minas, Sacramento e Delfinópolis, no sudoeste de Minas Gerais.

Nesta viagem conhecemos as atrações próximas as portarias 1 (em São Roque de Minas) e 4 (em São José do Barreiro – distrito de São Roque). Nos hospedamos em São Roque e em Vargem Bonita, uma cidade bem pequena – com cerca de 2.000 habitante – mas muito acolhedora e que foi nossa base para conhecer com calma a portaria 4 e outras belezas da região.

Hospedagem:

Como já comentei decidimos dividir nossa hospedagem em duas cidades. Primeiro porque gostamos muito de Vargem Bonita, achamos o povo muito acolhedor e queríamos fazer as coisas com calma. Além disso, há várias cachoeiras na região. Ficamos duas noites numa pousada recém inaugurada (Canto do Rio). Indico bastante, são apenas dois quartos, o café é no quintal do casal proprietário que é super hospitaleiro (já disse que amamos as pessoas de lá?) e fica a poucos metros de uma praia do Rio São Francisco (Vargem Bonita é a primeira cidade banhada por ele). Na cidade há diversas pousadinhas simpáticas, mas se você pode gastar um pouquinho mais, na estrada de terra para o Parque Nacional da Serra da Canastra há diversas pousadas rurais incríveis (recomendo muito a Praia da Crioula, com uma estrutura maravilhosa e pessoal simpático – jura?).

Em São Roque de Minas ficamos hospedados no Hotel da Canastra , que fica em frente a Igreja Matriz. É um hotel com estrutura antiga, mas super limpo, aconchegante e a Bia, responsável pelo espaço, é um amor de pessoa. Há outras (poucas) opções na cidade. Vale ressaltar que a hospedagem em São Roque é mais cara que em Vargem Bonita e não vimos pousadas rurais. Outras opções que achamos bacana foram a Pousada Barcelos e a Pousada Caminho da Serra.

Passeios em Vargem Bonita:

Em Vargem Bonita a principal atração é a parte baixa da cachoeira Casca D’Anta (primeira grande queda do Rio São Francisco, com 186 m de altura). A portaria 4 do Parque Nacional, onde está a cachoeira, fica a 24 Km da cidade (na verdade a portaria fica em São José do Barreiro, um distrito de São Roque de Minas). O caminho é feito por estrada de terra em boas condições. A entrada para o Parque custa R$ 10,00 por pessoa e é preciso fazer uma trilha de 1,5 Km (bem sinalizada e fácil). O parque tem estrutura para piquenique, banheiros e estacionamento.

Parte baixa da Cachoeira Casca D’Anta

A cachoeira é majestosa, a força da água é muito forte e o poço é fundo. Confesso que fiquei com medo de entrar. A queda forma ondas no poço. É realmente um lugar para contemplar a força da natureza. <3

Bem pertinho da entrada do Parque há uma placa indicando as Piscinas Naturais do Tio Zezito. Apenas vá! São piscinas com uma água cristalina, delícia para nadar, cheia de peixinhos! A entrada custa R$ 10,00 e não é preciso caminhar praticamente nada para chegar nas piscinas. Um lugar para curtir sem pressa!

No dia seguinte fomos conhecer a Cachoeira da Chinela, que fica a cerca de 7 Km de Vargem Bonita, o acesso também é por estrada de terra e há sinalização. A entrada também custa R$ 10,00 por pessoa e a trilha de acesso tem cerca de 800m. Mais uma cachoeira linda, com poço fundo muitas borboletas. Não havia ninguém por lá, ou seja, curtimos bastante! Só um pequeno (grande) detalhe: havia um adesivo de apoio ao Bolsonaro na casinha que recepciona as pessoas. Só vimos na hora de ir embora… =(

Cachoeira da Chinela.

Nesse mesmo dia fomos curtir a Praia da Crioula, que fica dentro da pousada que já comentei por aqui. A entrada custa R$ 10,00 (hóspedes não pagam) e temos acesso a dois pontos de praia de rio. Água muito cristalina, calma… Ótimo lugar para relaxar!

Na região de Vargem Bonita há outras cachoeiras, entretanto a cidade está se organizando para o turismo muito recentemente e alguns acessos ainda são mais complicados. Como bem nos disse um morador: “É preciso mais de uma vida para conhecer todas as cachoeiras dessa região de Minas”.

Comida em Vargem Bonita

A cidade é muito pequena e como já comentei está se organizando para receber visitantes, então não há muitas opções de restaurantes. Durante os dois dias que ficamos por lá só encontramos duas opções abertas nos horários que saímos: a Pizzaria Vargem Bonita, que tem um ambiente bem familiar, é praticamente no quintal da família que administra. A pizza é gostosa, eles têm algumas opções com queijo canastra (em média custa R$ 30,00) e o Cantinho da Canastra, a proprietária – Diana – é quem faz tudo por lá: cozinha, serve, cobra e ainda conversa! A Aritana, filha dela de 8 anos, é uma graça e também conversa bastante. Eu já disse que a gente se sentiu em casa nessa cidade, né? <3 No almoço ela serve um PF muito gostoso por R$ 15,00 e a noite tem lanches, porções e massas (lanches de hambúrguer artesanal custam em média R$ 18,00.  A opção vegetariana é pedir molho branco nas massas).

Bem próximo a portaria 4 do Parque há o Restaurante Dois Irmãos. Um “coma a vontade” em fogão a lenha com comida mineira deliciosa. Custa R$ 30,00 por pessoa. Há  opções de legumes e verduras, então rola um almoço vegetariano/vegano. O feijão de lá é de comer rezando.

Passeios em São Roque de Minas

Ficamos dois dias em Vargem Bonita e seguimos para São Roque de Minas. Achamos a cidade bem estranha e com um clima bem diferente da vizinha. A impressão que tive foi de uma cidade um tanto abandonada. Com alguns (poucos) hotéis e pousadas, mas nada fora isso. As repartições públicas estão bem deterioradas e não há nenhum movimento na praça central, por exemplo. Eu esperava por algo bem diferente…

O entorno da cidade tem uma natureza exuberante! Chegamos por volta das 10h30 e fomos direto para o Complexo Capão Forro (fica no caminho para entrada 1 do Parque, cerca de 4 Km da cidade em estrada de terra em condições razoáveis)! Que lugar maravilhoso! São 3 cachoeiras: Cachoeira da Mata (a minha preferida, linda, com um poço enorme e com várias profundidades), Cachoeira do Lobo, Cachoeira Capão Forro e mais dois poços para banho. A entrada custa R$ 20,00 por pessoa e há uma trilha de 800m até a Cachoeira da Mata. Há estrutura de banheiro. É possível ficar o dia todo por lá, mas é preciso levar um lanchinho.

Cachoeira da Mata – Complexo Capão Forro.

O dia seguinte estava reservado para a visita a parte alta do Parque Nacional da Serra Canastra (portaria 1)! É um passeio para o dia todo, então é importante se programar com relação a comida. A entrada do parque fica a 8 Km da cidade em estrada de terra razoável e em alguns trechos ruim. Aqui é importante lembrar que fomos no período de seca num carro 1.0 (uninho guerreiro)! Na época da chuva só é possível acessar de 4×4. A entrada custa R$ 10,00 por pessoa e a maior parte do passeio você faz de carro! É uma parque que ao invés de trilhas, temos estradas de terra! Você mesmo faz o seu roteiro, as estradas são bem sinalizadas e estavam em boas condições.

Nós fomos até a nascente histórica do Rio São Francisco (por meio dos estudos realizados pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales dos São Francisco e do Parnaíba – Codevasf , descobriu-se em 2002 que a nascente do rio São Francisco é na verdade o Rio Samburá, localizado em Medeiros no estado de Minas Gerais. Assim, a nascente histórica é na Serra da Canastra e a nascente geográfica é o Rio Samburá). É muito emocionante estar neste lugar, onde começa um rio mítico para o Brasil, gigante e sábio, ancestral… É um rio avô! Eu fiquei muito impactada.

Veado Campeiro em seu habita natural <3

De lá fomos até o Curral de Pedras, o que restou de um antigo “retiro”, fazenda de uso temporário, geralmente no inverno, quando o gado de leite era levado para as partes altas da Serra. Ainda passamos pela Cachoeira dos Rolinhos (linda, água transparente, energia sem igual) e depois fomos para a parte alta da Cachoeira Casca d’Anta. Para mim o ponto alto (sem trocadilhos infames) do passeio. Que paisagem! O rio São Francisco corre suave, forma suas primeiras quedas… Há um mirante com vista incrível. Dá para ficar um bom tempo por lá!

Fizemos todo o percurso com nosso uninho, sem grandes complicações (exceto num trecho próximo à Cachoeira dos Rolinhos). De todos os passeios maravilhosos que fizemos, esse foi o que mais me impactou. Com o carro conseguimos percorrer um longo trecho do parque e é incrível ver a paisagem do Cerrado, os animais livres (vimos veados do cerrado, muitos pássaros, cobra e a fauna é ainda maior, com lobo guará e outras espécies…) e o quanto a natureza é maravilhosa e dependemos dela.

Fora do parque também visitamos a Cachoeira do Cerradão. A cachoeira tem 3 quedas bem bonitas, e algumas piscinas naturais para banho. O caminho é feito por uma trilha de 1,5 Km bem bonita. A área é uma RPPN (Reserva Particular de Patrimônio Natural) e é cobrada uma taxa de R$ 20,00 por pessoa.

Comida em São Roque de Minas

Gente, essa parte é triste… Nos dias em que estivemos na cidade só vimos duas opções de restaurantes abertos e só experimentamos um deles: o Velho Chico, recomendo bastante! A comida é muito boa, há (poucas) opções vegetarianas e o ambiente é bem bonito (os pratos custam cerca de R$ 70,00 para duas pessoas – que na verdade servem 3 – , então peça meia porção para duas pessoas). A outra opção é o Restaurante da Dona Inês, acabamos não comendo lá porque é self-service (R$ 20,00 por pessoa se não me engano) e quem não come carne não tem grandes opções (é comida caseira mineira).

Sempre almoçamos mais tarde porque ficamos o dia todo nos passeios, então não saímos a noite. Mas me parece que tem uma ou duas pizzarias na cidade.

Nosso roteiro final foi o seguinte:

Em Vargem Bonita ficamos dois dias: dia 1) Parte baixa da Cachoeira Casca D’Anta e piscinas naturais do tio Zezito, dia 2) Cachoeira da Chinela e praias do Rio São Francisco. No dia seguinte partimos cedinho para São Roque de Minas e conhecemos no dia 1) Complexo Capão Forro, dia 2) Parque Nacional da Serra da Canastra. No dia seguinte aproveitamos a manhã para conhecer a Cachoeira do Cerradão e visitar alguns produtores de queijo canastra. Voltamos para São Paulo após o almoço.

Queijo Canastra

É claro que estávamos muito ansiosos para conhecer o processo de fabricação do famoso Queijo Canastra e pudemos visitar três queijarias. A iguaria é um dos mais legítimos representantes da gastronomia mineira, tombada como Patrimônio Cultural Imaterial e certificada pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). A marca Queijo Canastra só pode ser utilizada nos sete municípios que compõem a região: Bambuí, Delfinópolis, Medeiros, Piumhi, São Roque de Minas, Vargem Bonita e Tapiraí.

A “É nóis Canastra” é comandada pela Talita, que no auge dos seus 14 anos é a mais jovem produtora de queijo da região. Uma menina incrível que faz queijos deliciosos. A queijaria está bem próxima da cidade, na estrada de acesso a portaria 1 do Parque Nacional. O queijo é muito bom!

O seu Zé Mário é o produtor mais famoso e premiado da região. Nos recebeu de braços abertos e junto com sua esposa, Dona Valdete, nos deu uma verdadeira aula sobre o preparo e a importância da qualidade de vida da vaca para que o queijo fique saboroso. Ele é a cara do meu avô e isso me fez ter um carinho especial pela sua fazenda. Posso dizer que nos demos muito bem e ficamos lá quase uma manhã inteira (e sem vontade de ir embora). O queijo é realmente maravilhoso! <3 A fazenda fica na estrada para Cachoeira do Cerradão (há placas indicando).

Visitamos um outro casal de idosos produtores de queijo, que não lembro o nome de jeito nenhum… =( Mas também fica na estrada para Cachoeira do Cerradão, um pouco antes da entrada para fazenda do seu Zé Mario. O queijo é uma delícia. Trouxemos um curado no vinho e outro na cerveja.

O que ficou?

Eu amei a região da Serra da Canastras, mesmo tendo me “decepcionado” um pouco com a cidade de São Roque de Minas, os atrativos naturais valem muito a pena! Eu sou simplesmente apaixonada pelo bioma Cerrado e estar em meio a este tipo de vegetação me enche de energia.

É uma região para qual queremos muito voltar, sobretudo para conhecer as outras cidades e portarias do parque. Sem contar que o queijo canastra deixa saudades (nossa viagem aconteceu em julho, estamos no fim de agosto e ainda temos queijo em casa – fizemos um verdadeiro estoque – já estou sofrendo por antecipação).

Então a dica é: vá para lá assim que puder e sentir! Não tem erro! <3 <3

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